Deixar o cachorro sozinho

Deixar o cachorro sozinho

Como animais sociais, os cães apreciam, naturalmente, a companhia da sua família. No entanto, qualquer cão adulto deve conseguir ficar sozinho durante algumas horas e os treinos nesse sentido devem começar bastante cedo, pois, se tal não acontecer, em adultos os cães terão muita dificuldade em habituar-se a estar sozinhos.

Habituar o cachorro a ficar sozinho

Ao mudar-se para o seu novo lar, um cachorro nunca terá estado sozinho, pois terá tido, no mínimo, a companhia dos irmãos a tempo inteiro, desde os primeiros momentos de vida. Os treinos não devem começar logo a seguir à mudança, visto que o animal terá já muito a que se habituar e ficar sozinho deixá-lo-ia nervoso. É também importante dono e animal fazerem companhia um ao outro, criando e fortalecendo laços – um pré-requisito para que em adulto o cão permaneça relaxado quando sozinho. Passados os primeiros dias no novo lar, dê início a pequenos exercícios inseridos na vivência do quotidiano. Passos simples: se o cachorro estiver entretido com um novo brinquedo ou a deliciar-se com um osso, saia da sala onde se encontram durante um minuto – não mais, pois o animal não deve sentir a sua falta. Desta forma, o animal aprenderá que o dono se ausente mas volta, assimilando-o como um comportamento normal. No passo seguinte o grau de dificuldade aumenta ligeiramente; não estando o cachorro distraído, saia da sala (ou do apartamento) durante um curto espaço de tempo e, dois minutos passados, entre novamente. Mostre-se calmo e execute estes exercícios todos os dias, para que o cachorro perceba que não há nada mais natural do que o dono se ausentar. Caso o seu companheiro mostre desagrado, ignore-o e encurte os momentos de ausência; caso se tenha mantido calmo, não se esqueça de o elogiar.

Exercício de treino para deixar o cachorro sozinho

Após, no decorrer do exercício, ter atingido a marca dos dois minutos, atreva-se a sair do apartamento ou da casa durante cerca de três minutos. Lembre-se – nunca deixe o animal sozinho enquanto dorme. Por outro lado, não se despeça e mantenha presente que está a fazer algo bastante comum: ao demonstrar calma, é impossível o animal ficar nervoso. Pratique este nova variante do treino e de forma diferente: saia simplesmente do apartamento, sem levar um casaco, por exemplo. Experimente depois levar um casaco. Todas as variações de uma saída devem ser testadas  e tornar-se normais para o jovem animal. Depois de o cachorro ter passado com distinção este último teste, aumente progressivamente o tempo em que o deixa sozinho. Vá à padaria ou veja a caixa do correio e faça do seu regresso imprevisível: regresse passados dez minutos, depois após apenas cinco ou deixe passar quinze minutos. Assim, o seu companheiro de quatro patas habituar-se-á a períodos flexíveis, ao invés de esperar ansiosamente por si. Mantenha-o ocupado com um brinquedo ou com um osso para roer. Nesta fase, é aconselhável manter-se nas redondezas do apartamento, podendo assim dar-se conta se uiva ou choraminga. No entanto, nunca deverá responder-lhe a partir do exterior, pois tal só irá aumentar o comportamento indesejado. Se este exercício correr bem, continue a aumentar os tempos. Lembre-se apenas: até aos quatro meses um cachorro não deverá ficar sozinho por mais de duas horas.

Se o cachorro continuar nervoso com a sua ausência

Se, apesar de todos os seus esforços, ao sair do apartamento, ou até da sala, o seu companheiro não relaxar, a solução passa por descobrir o motivo. Apresentamos alguns exemplos:

  • Aumentou os tempos de ausência demasiado depressa. Neste caso, retroceda algumas fases e proceda como inicialmente, mantendo os exercícios de treino curtos, até que o animal se sinta seguro. Somente depois deverá aumentar os tempos.
  • Os laços de confiança entre o cão e o dono não se encontram ainda muito desenvolvidos – neste caso, aconselhamos um treino intensivo direcionado para a construção de laços.
  • O animal ficou demasiado tempo sozinho: cachorros até aos quatro meses não devem ficar sozinhos mais do que duas horas seguidas.
  • Tempestade, trovoada ou uma porta a bater: caso o animal se tenha assustado na sua ausência, tal pode significar que terá de voltar a uma fase mais inicial do treino. Não deve também treinar o animal durante uma tempestade.
  • Quando a hierarquia não está bem definida pode ser problemático o animal ficar sozinho: se o cachorro se sentir o líder, sentirá também que não o devem contrariar.
  • Antes de uma ausência mais prolongada, proporcione ao cachorro um passeio mais prolongado, deixando-o brincar e gastar energia – apenas um cão bem-disposto poderá ficar sozinho.

Tenha presente que só a prática conduzirá à perfeição! E mesmo sendo verdade querer aproveitar todos os minutos na companhia do seu cachorro, o facto é que existem situações em que este está melhor em casa – seja numa ida ao mercado de Natal ou ao cinema. Pratique todas as fases de treino calmamente e pense positivo, pois a tranquilidade é algo que se sente e transmite!

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