Como matar pulgas nos cães This article is verified by a vet

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Escrito por Amelie Krause, Tierärztin

O que são as pulgas e como se desenvolvem

Existem mais de 2000 espécies de pulgas que podem infetar mamíferos e aves. Os cães são muito frequentemente colonizados pela Ctenocephalides felis (pulga felina), em raros casos pela Ctenocephalides canis (pulga canina) e ocasionalmente pelas espécies Pulex irritans e Pulex simulans (pulga humana), além das Echidnophaga gallinacea (pulga dos frangos) e Archaeopsylla erinacei (pulga do ouriço).

As pulgas medem entre 1 a 6 milímetros, são comprimidas lateralmente, não voam e são dotadas de um tálus forte e de uma enorme capacidade de sucção. Oscilam entre o castanho-claro e o escuro e alimentam-se do sangue do animal hospedeiro.

O desenvolvimento das pulgas desde o ovo inclui três fases de larva até à pupa e, depois, a forma adulta. As fêmeas precisam apenas de alguns minutos para colonizarem o sangue canino e começam a pôr ovos entre 24 e 48 horas depois. Durante o seu tempo médio de vida, 50-100 dias, cada pulga põe 30 ovos por dia, aproximadamente. Os ovos são sobretudo postos durante o período de descanso dos cães, caindo nas zonas escolhidas por estes para dormitar e outras, onde passem mais tempo. Em poucos dias, os ovos eclodem e dão lugar às larvas, que desenvolvem em três fases até alcançarem o estado de pupa. As larvas alimentam-se de matéria celular e excrementos de pulgas com sangue não digerido, que cai do pelo do cão juntamente com os ovos. Na fase adulta, a pupa dá lugar à pulpa e procura colonizar o cão mais próximo, o quanto antes. Perante condições desfavoráveis, como temperaturas mais baixas, a pupa pode sobreviver no casulo até 50 dias antes de eclodir. Por outro lado, caso as condições sejam favoráveis, o ciclo total, desde a fase do ovo até à pulga, situa-se entre 2-4 semanas. Pulgas adultas das espécies C. felis e C. canis vivem em permanência no hospedeiro; podem ocasionalmente passar por outros, mas não o fazem por muito tempo. Nos estádios iniciais (ovo, larva, pupa), estes insetos vivem no ambiente em seu redor, sobretudo em zonas mais escondidas, por exemplo por debaixo de almofadas e tapetes, e também nas fendas do chão.

Os cães transportam pulgas para casa através do contacto com outros animais. Um apartamento tem as condições ideais para o desenvolvimento favorável das pulgas, multiplicando-se rapidamente. C. felis, a espécie mais comum, não é exigente no momento de selecionar um hospedeiro: foi já encontrada em mais de 50 animais diferentes por todo o mundo, tal como em humanos.

Sintomas de pulgas nos cães

As mordidelas de pulga provocam nos cães comichão e diversas reações na pele, como pontos vermelhos rodeados por um halo de cor clara. Nas reações mais graves podem verificar-se pústulas e crostas. As constantes coçadelas e mordidelas do próprio cão provocam queda de pelo e até mesmo eczemas purulentos. Os locais de preferência das pulgas incluem as orelhas e a garupa, as costas e a base da cauda, e ainda o abdómen e a coxa interna. Porém, uma infestação deste género pode ocorrer sem quaisquer sintomas.

Além disso, os cães podem desenvolver a chamada dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP), uma reação hipersensível despoletada pelos componentes da saliva da pulga. A DAPP é uma das mais relevantes e comuns alergias dermatológicas nos cães, bastando uma só picada do parasita para causar comichão super intensa.

No que diz respeito a infestações em grande escala, cachorros ou cães não tão jovens que sofram, ao mesmo tempo, de outras doenças, podem ficar anémicos, já que as pulgas lhes sugam o sangue. Estes parasitas podem também transmitir a ténia dipylidium caninum aos cães.

Diagnóstico de uma infestação de pulgas

Em casos de infestação severa é possível observar as pulgas a olho nu. Sintomas clínicos como picadas e vermelhidão nas zonas de eleição dos parasitas são também indicadores do problema. Usando um pente para pulgas pode procurá-las ou os seus excrementos. Para distinguir as fezes da sujidade do pelo do cão, bata com o pente num pedaço de papel de cozinha ou numa folha branca e humedeça-o com água. Se os elementos se tornarem avermelhados, é certo que se tratam de fezes de pulgas e do sangue por estas chupado. Ovos ou larvas que tenham ficado presos no pelo do cão são identificáveis através do microscópio.

A alergia à saliva das pulgas é bastante mais difícil de diagnosticar, pois as pulgas ou os seus excrementos apenas em raros casos são encontrados. Os típicos sintomas da DAPP, aliados às lesões na pele, constituem pistas preciosas. Todavia, a presença de outras alergias ou parasitas deve ser tida em consideração ao proceder-se ao diagnóstico. Se as suspeitas de DAPP forem fortes, o médico dermatologista encarregar-se-á de confirmar o diagnóstico, recorrendo a medicação ou a um teste intradérmico.

Como eliminar pulgas nos cães

Para eliminar as pulgas no cães são necessárias algumas medidas. Por um lado, devem ser erradicadas pulgas adultas que colonizam o pelo dos cães, utilizando, por exemplo, pipetas, comprimidos e sprays, produtos disponibilizados pelo médico veterinário. Além disso, pulgas em estádios anteriores de desenvolvimento devem também ser erradicadas, ou seja, toda a área em redor da habitada pelo cão deve ser desparasitada. Deve prestar-se especial atenção às fendas no soalho, à parte de baixo dos tapetes e a quaisquer outras áreas sombrias, apetecíveis às larvas. Mantas e almofadas devem ser lavadas; pavimentos e o automóvel devem ser aspirados cuidadosamente e o saco do aspirador deve ser despejado de imediato. Após a limpeza, é recomendável aplicar, na área em redor, inseticida, em forma de spray ou de bomba, produtos facilmente adquiríveis em lojas especialistas ou no consultório veterinário.

Já que as pulgas podem igualmente infestar outros animais que partilhem o mesmo espaço do seu patudo, é desejável higienizá-los. 

Estes parasitas transmitem a ténia canina Dipylidium caninum, pelo que proceder a uma desparasitação após uma infestação por pulgas não é mal pensado.

Anti-pulgas - Prevenção

Evitar uma infestação de pulgas é possível através de tratamento preventivo anti-pulgas, recorrendo-se a medicação veterinária, disponível em forma de pipeta, comprimidos e coleiras, cada qual com o seu modo de atuação e duração.

Cães alérgicos à saliva das pulgas devem receber regularmente medicação antipulgas, porque, como vimos, uma única mordida pode despoletar sintomas graves.

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