Coronavírus em gatos This article is verified by a vet

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Escrito por Franziska Gütgemann

o meu gato pode ser infetado?

Os coronavírus não atingem apenas os donos de animais, mas também os nossos amigos patudos. No entanto, contrariamente ao novo coronavírus, os coronavírus felinos (FCoV) são conhecidos há muito anos. Neste grupo encontram-se o Coronavírus Felino Entérico (FECV), assim como o Vírus Da Peritonite Infeciosa Felina (FIPV). Este último é naturalmente o causador da peritonite infeciosa felina (PIF). Esta doença causa peritonite e hidropisia e, por isso, pode levar à morte dos gatos infetados. Os humanos imunodeficientes infetados com este vírus, pelo contrário, apresentam sintomas semelhantes aos da gripe. Os grupos mais vulneráveis a esta doença são os idosos, assim como pessoas com outras patologias.

A Covid-19 é perigosa para o meu gato?

31.03.2020 No final de 2019, a China reportou os primeiros casos da doença infeciosa Covid-19 em humanos. Atualmente, milhares de pessoas no mundo estão doentes e a origem do coronavírus SARS-CoV-2 não é ainda clara. A comunidade científica pensa que esta infeção respiratória deverá ser transmitida aos humanos por morcegos, pangolins ou cobras. De acordo com os atuais dados científicos, o instituto alemão para a saúde animal, Instituto Friedrich Löffler, considera a transmissão do SARS-CoV-2 entre humanos e gatos e vice versa improvável.

Há poucos dias, foi detetado um gato na Bélgica infetado com o SARS-CoV-2, cuja dona estava também infetada. O gato apresentava dificuldades respiratórias e diarreia. No entanto, o Instituto Friedrich Löffler mantém a posição de que se trata de um caso excecional. O gato encontra-se sob observação veterinária e a sua evolução clínica é positiva.

O vírus também foi encontrado na boca e nariz de dois cães em Hong Kong. No entanto, dado que o nível de anticorpos ao vírus encontrados nos cães era muito baixo, os médicos consideram que os cães foram contaminados por contato com o ambiente circundante.

Há razões para ter medo em deixar o meu gato sair de casa?

De momento não existem evidências científicas que indiquem que o novo coronavírus pode ser transmitido aos humanos através dos gatos. Assim, se o seu gato está saudável pode continuar a deixá-lo sair e explorar as redondezas. No entanto, é aconselhável adotar as medidas de higiene usuais, como por exemplo, lavar as mãos depois de mexer no seu gato. É igualmente aconselhável manter a tijela de comida e a caixa de areia limpas.

O que fazer com o seu gato se estiver em quarentena?

Se estiver em quarentena, não deve sair de casa durante pelo menos duas semanas. Os gatos que vivem em casa podem manter as suas rotinas e fazer as suas necessidades na caixa de areia. Por outro lado, se o seu gato costuma passear pelas redondezas, deixe-o sair como habitual pela porta para gatos ou abrindo a porta para que ele possa sair. Caso não tenha comida ou brinquedos suficientes, pode pedir a um amigo que compre ou comprá-los online. Atualmente muitas empresas de entregas ao domicílio deixam a sua encomenda à porta de casa para evitar contato entre pessoas.

No entanto, existem coronavírus bem conhecidos que têm um grande impacto na saúde dos gatos (os FCoV) e que podem ser muito perigosos. Este artigo identifica os coronavírus que afetam os gatos. Descreve igualmente quais os sintomas que os gatos apresentam e como os pode proteger.

Coronavírus do gato – disseminação e sintomas

Os coronavírus do gato incluem o Coronavírus Felino Entérico (FECV) e o Vírus da Peritonite Infeciosa Felina (FIPV), que provavelmente é uma mutação do primeiro. Ambos os vírus subdividem-se em dois tipos (sorotipo I e II), que apresentam igualmente características diferentes.

O Coronavírus Felino Entérico (FECV)

Este vírus está muito disseminado entre os gatos. Por isso, muitos criadores deparam-se com esta doença nos seus gatos. Os gatos podem ser infetados através de secreções do trato respiratório, fezes e urina contaminadas. Assim, o contágio pode ser por contato direto ou indireto. Os gatos podem ser infetados, por exemplo, ao partilhar comedouroscaixas de areia ou ao brincarem uns com os outros. Os vírus entram pela boca e seguem para o trato gastrointestinal, onde se multiplicam. Em seguida, atacam os gânglios linfáticos e macrófagos locais do sistema imunológico.

Vírus Da Peritonite Infeciosa Felina (FIPV)

Enquanto o Coronavírus Felino Entérico (FECV) está bastante disseminado, uma infeção causada pelo Vírus da Peritonite Infeciosa Felina (FIPV) é rara nos gatos. A explicação é simples. Este vírus não é transmitido por contato direto ou indireto. Pelo contrário, este vírus é o resultado de uma mutação do Coronavírus Felino Entérico nos macrófagos. No entanto, isto significa que qualquer gato infetado com FECV também pode carregar o Vírus da Peritonite Infeciosa Felina. Mas um gato infetado não vai necessariamente adoecer. Dados mostram que apenas 5% a 10% dos gatos infetados desenvolvem peritonite infeciosa felina (PIF) ao longo da vida. Ainda assim, uma percentagem elevada de gatos adoece no primeiro ano de vida. Dessa forma, fatores como deficiências imunitárias e a presença de outras infeções, (por exemplo, VLFe e VIF), desempenham um papel crucial no desenvolvimento desta doença.

Se os macrófagos infetados entrarem no sangue, o vírus vai-se espalhar por todo o corpo, com consequências graves. Estas dependem da forma que a doença assumir.

  • A forma húmida, também conhecida por forma efusiva ou exsudativa, causa a inflamação das membranas serosas. Estas, revestem os órgãos do tórax, cavidades abdominais e pélvicas. O corpo produz então quantidades massivas de secreções amareladas. O nome desta forma da doença resulta desta produção de secreções.
  • A chamada forma seca ou não efusiva causa inflamações nodulares ou granulomas. Estes podem surgir no fígado, baço e pâncreas, bem como nos gânglios linfáticos.

Que sintomas apresentam os gatos infetados com coronavírus?

Os primeiros sinais de uma infeção pelo Vírus da Peritonite Infeciosa Felina podem surgir poucos dias após o contágio. No entanto, nalguns casos, os sinais só surgem passados alguns meses.

Os sintomas desta doença são variados devido aos muitos órgãos que pode afetar. Por exemplo, os rins, fígado ou o sistema nervoso central, podem sofrer danos. Possíveis sintomas são:

  • Sintomas gerais. Por exemplo, febre recorrente, fraqueza, prostração.
  • Alterações no comportamento, como agressividade ou medo repentinos.
  • Alterações nos movimentos. Por exemplo, paresia ou paralisia parcial, assim como ataxia ou problemas de coordenação.
  • Membranas das mucosas amareladas (por exemplo, icterícia na boca) e doenças oculares.
  • Emagrecimento e simultaneamente dilatação abdominal (devido a hidropisia abdominal). Sinais de falta de ar em virtude da dilatação abdominal.

É de notar que a PIF pode causar a morte dos gatos em poucas semanas. Pelo contrário, um gato infetado com o Coronavírus Felino Entérico, apresenta apenas uma leve inflamação intestinal, febre e diarreia.

Como se diagnosticam coronavírus em gatos?

Caso o seu gato esteja a dormir mais do que o habitual ou se surgirem outros comportamentos graves, deve procurar um veterinário.

Após a recolha de informações junto do dono do gato e de um exame clínico geral, o veterinário pode colocar a possibilidade de uma infeção por coronavírus. A fim de confirmar o diagnóstico, o veterinário tem três opções.

  • Deteção indireta de patógenos. Neste método são retiradas amostras de soro sanguíneo ou de secreções abdominais, por punção. Em seguida, testes específicos (ELISA ou imunofluorescência) vão medir o nível de anticorpos produzidos pelo sistema imunológico.
  • Deteção direta de patógenos. Neste caso, realiza-se um teste de análise biológico molecular, conhecido por reação em cadeia pela polimerase em tempo real – RT-PCR, num laboratório veterinário. No entanto, o método mais seguro de diagnóstico é a análise patológica dos granulomas. Este exame é levado a cabo em gatos recentemente falecidos.
  • Por análise laboratorial. Uma baixa concentração de glóbulos vermelhos ou eritrócitos de algumas células imunitárias, como por exemplo, linfócitos e trombócitos, assim como de albumina, também as concentrações elevadas de proteínas plasmáticas e fibrinogênio são sinais de PIF.

Como se trata a infeção por coronavírus em gatos?

No caso de FECV, a diarreia e a febre podem ser tratadas com medicamentos. Pelo contrário, a peritonite infeciosa felina não tem cura. Assim, a intervenção deve ser no sentido de proporcionar cuidados paliativos ao gato. O objetivo é melhorar a qualidade de vida do gato, assim como reduzir o seu sofrimento. No entanto, caso esta intervenção já não seja possível, a eutanásia deve ser considerada sob controlo do veterinário.

Qual é o prognóstico da Coronavírus nos gatos?

O prognóstico de uma infeção com FECV é geralmente positivo. No entanto, é preciso assinalar que há o perigo de o vírus sofrer uma mutação para o FIPV. Assim, se for esse o caso, infelizmente, o dono deve contar com a morte rápida do seu gato.

Como posso proteger o meu gato de coronavírus?

A fim de proteger o seu gato de uma infeção com coronavírus felino, deve adotar as seguintes medidas:

  • Limpeza regular da caixa de areia, da taça da água e do comedouro.
  • Evitar expor o gato a stress.
  • Examinar regularmente as gatas grávidas e as suas ninhadas. Evite, igualmente, qualquer contato com gatos infetados.
  • É possível vacinar os gatos contra o Vírus da Peritonite Infeciosa Felina a partir as 16 semanas. No entanto, esta vacina ainda levanta controvérsias.

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