Gato medroso

gato medroso

Os gatos são animais naturalmente curiosos. Por outro lado, a verdade é que é raro haver um gato que confie numa pessoa – e isto é especialmente verdade caso o animal tenha crescido sem ter muito contacto com humanos ou caso tenha passado por más experiências...

Os gatos têm diferentes temperamentos

Se pensar um pouco acerca da linguagem corporal dos gatos, poderá facilmente identificar gatos ansiosos: andam dobrados, com o pelo eriçado e desalinhado. Raramente têm a iniciativa de se dirigir a outros gatos ou objetos novos, são desinteressados e assustadiços. Retraem-se na presença de outros gatos, pessoas ou brinquedos. Nenhum tipo de comunicação ou brincadeiras é possível com este tipo de gatos; raramente veremos a sua cauda erguida (um sinal de confiança), mas sim escondida no meio das patas ou transformando-se num ansioso ou agressivo “espanador“. O pelo não fica apenas desgrenhado nas alturas de mudança de pelo, sendo que poderá notar alguns locais sem pelagem. No fundo, o seu comportamento é tudo menos descontraído. A agressividade pode tanto ser um sinónimo de ansiedade quanto a letargia!

O temperamento do animal dependerá da raça, criação, socialização e ambiente. Tal como nós, também todos os gatos têm o seu feitio particular. Existem gatos que têm confiança nos humanos desde o berço e seguem os donos por todo o lado. Existem espécies mais donas do seu nariz, que pouco se importam com a vivência humana. E, claro, existem também gatos mais tímidos, com pouca ou nenhuma confiança. E as razões para os vários tipos de personalidade podem ser diferentes.

ängstliche katze

Qual a origem do medo nos gatos

Os gatos são primariamente controlados pelos seus instintos. Experiências que nos parecem insignificantes, como um toque de campainha mais ruidoso, uma ida ao veterinário mais desagradável ou a ausência do dono, podem transtornar os gatos ou deixá-los ansiosos. Nem sempre são claras as razões por que um determinado gato mostra reserva para com as pessoas, ansioso em determinadas situações ou fóbico em relação a certos objetos ou pessoas. Quanto melhor conhecer o seu animal e as suas condições de vida, mais fácil será identificar o que lhe despoleta medo.

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Gatos que crescem sem contacto com humanos

O carácter de um gato e o seu comportamento perante as pessoas é em grande parte determinado pela mãe. No importante período de imprinting das doze primeiras semanas de vida, o animal aprende tudo o que é importante com a mãe e os irmãos – e aqui se inclui a postura a ter perante outros animais e as pessoas.

Por norma, mães cuja atitude seja de prudência em relação aos humanos tendem a criar gatinhos mais medrosos. A verdade é que a mãe gata constitui o mais importante modelo para as suas crias – gatas tímidas criam muitas vezes os filhotes longe da proximidade de humanos. Gatinhos que sejam criados de forma isolada, ou mesmo em estado selvagem, terão bastante mais dificuldade em estabelecer confiança do que gatinhos que tenham tido contacto próximo com a sua família humana desde cedo.

No entanto, não é impossível criar laços de amizade com os mais selvagens. Seja paciente e mostre ao animal que vale a pena uma segunda tentativa. Não desista desde logo e ofereça ao felino a oportunidade de se retirar, permitindo que se aproxime à sua vontade.

Gatos que já tiveram más experiências

Gatos que tenham crescido em grande proximidade com humanos e que tenham tido bastante contacto com os mesmos desde o início da vida podem deixar de confiar neles e, em casos extremos, não voltar a relacionar-se. Uma razão frequente: más experiências e traumas. Animais que tenham sido alvo de violência física ou psicológica raramente recuperam. No entanto, com muito esforço é possível trazer estes gatinhos de volta para a vida em sociedade! O seu sucesso dependerá da personalidade de cada animal e das suas experiências concretas.

É importante oferecer a um animal receoso a oportunidade de se resguardar; ao sentir-se pressionado, ficará mais stressado e estará a dar-lhe mais razões para ter medo de si. Seja muito cuidadoso. Não desista se o gato der um passo para a frente e dois para trás.

Ter medo em situações especiais

Por vezes os receios do seu gato podem estar relacionados com determinadas situações ou objetos, e muitas vezes, pessoas. Os motivos para este tipo de comportamento podem ter que ver com traumas mentais ou físicos, choques ou más experiências.

Não é de estranhar, por exemplo, que os gatos se mostrem relutantes em entrar em caixas transportadoras, pois relacionam-as com idas ao veterinário ou viagens longas de carro... O treino orientado pode fazer maravilhas nestes casos. Certifique-se de que o animal relaciona o objeto assustador com algo positivo. As recompensas são também muito úteis – se optar pelo treino com o clicker deve recompensar o animal com um “click“ quando este se aproximar da transportadora.

Quando o gato se sente repentinamente ansioso

Também os gatos que mais confiança têm nos donos podem, por vezes, tornar-se repentinamente ansiosos. Nestes casos, diferenciamos entre fobia (quando o estado de ansiedade ocorre perante a exposição a determinados objetos, como sacos de plástico, ou na presença de cães) e ansiedade, quando o gato está permanentemente stressado.

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O que aconteceu? Se o seu fiel amigo perde de repente o interesse nas pessoas e nas brincadeiras, anda com a cauda a pender ou tensa, deixou de comer ou está excecionalmente agressivo, estes podem ser sinais de traumas ou stress crónico. Aqui, também motivos psicológicos podem ser a causa de ansiedade repentina – consulte o seu veterinário para descartar as hipóteses de dor crónica ou outros problemas de saúde. Se o animal estiver fisicamente saudável, considere como possibilidades stress ou trauma.

O medo foi despoletado por mudanças externas? Ocorreu uma experiência drástica, uma mudança ou algum acidente? Há membros novos na família? Será que o animal não socializa o suficiente e a existência de novos companheiros felinos o torna inseguro? As condições de vida familiar são indicadas para a existência de vários gatos? Existem caixas de areia e comedouros suficientes? Será que o gato mais receoso irá sentir-se ameaçado pelos restantes, transformando-se o stress social em ansiedade constante?

E agora?

Como pode ver, existem muitas causas para a ansiedade dos nossos pequenos felinos. Como dono, conhecerá o seu gato melhor do que ninguém e provavelmente ao ler este artigo já reconheceu um ou outro comportamento do seu animal e, caso este seja ainda um mistério para si, não hesite em consultar um especialista – um terapeuta comportamental de animais poderá ajudá-lo. É verdade que o dono consegue identificar as alterações de comportamento do seu animal melhor do que qualquer estranho, mas é também facto que uma segunda opinião pode fazer maravilhas!

É excelente determinar a causa do medo, mas a verdade é que este não desaparecerá facilmente da vida do animal. Em qualquer caso, dê tempo ao gatinho, não o pressione e celebre cada um dos seus pequenos sucessos.

Um ambiente acolhedor

Se já identificou o estímulo causador de ansiedade, é importante fazê-lo desaparecer da vida do seu gatinho. No entanto, tal nem sempre é possível – poderá procurar um novo lar para o mais recente companheiro felino, oferecer os seus filhotes para adoção, entre outras hipóteses. Aqui o essencial é fazer os ajustes possíveis e necessários para oferecer ao seu gatinho um ambiente o mais humano possível. Por exemplo, num apartamento acolhedor para um gato devem constar uma variedade de locais para descansar e dormir e ainda objetos apropriados para arranhar. Especialmente importante é um local adequado para a caixa de areia, onde o gatinho se sinta tranquilo. O mesmo se aplica ao posicionamento do comedouro. Para de animais extremamente nervosos existem sprays ou difusores de feromonas que os podem acalmar – por norma, os animais começam a relaxar após várias semanas de utilização do produto. Alguns gatos acalmam apenas após uma aplicação, ainda que durante um curto período de tempo, enquanto outros precisarão da feronoma ao longo de toda a vida para aumentarem o seu bem-estar.

No entanto, uma vida plena de bem-estar e tranquilidade não deve depender de ações exteriores. Preste muita atenção ao seu felino – especialmente se a causa da ansiedade for o ciúme, isto é, quando há um novo elemento na casa ou quando nasce uma criança. Convença o seu gato de que continua a ser importante para si, através de momentos de brincadeira ou ao oferecer-lhe uma guloseima.

As maiores felicidades para si e para o seu gato!

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